F10 Carne de Sol: Quando a história de vida vira negócio

A história da F10 Carne de Sol não começou com um plano de negócios, um alto investimento ou uma estratégia detalhada. Como muitas trajetórias empreendedoras no Brasil, começou com trabalho, adaptação e a disposição de aprender ao longo do caminho.

Proprietário da F10 Carne de Sol posa em frente ao restaurante.
Proprietário da F10 Carne de Sol posa em frente ao restaurante.

Hoje consolidada, a empresa carrega no nome algo que vai além da marca, carrega origem. O proprietário, Antonio Cláudio Favela, explicou que a escolha do nome nasceu da própria história de vida. Conhecido há anos apenas pelo sobrenome, Favela, ele encontrou na família a inspiração para aquilo que mais tarde também se tornaria a identidade do negócio.

“A F10 Carne de Sol é a minha história de vida.”

Ao falar sobre o significado do nome, ele demonstra orgulho ao associar a marca às suas raízes familiares.

Antônio Cláudio Favela exibe a tatuagem que representa sua família e inspirou o nome do restaurante.
“Eu carrego no braço 10 favelas. Nós somos oito irmãos, meu pai e minha mãe, que faz os 10. Então o F10 significa que nós somos 10 favelas. Aí é a família, exatamente.”

Mais do que uma identificação comercial, o nome traduz pertencimento e revela que, antes mesmo de existir como empresa, a F10 já nasceu conectada à sua origem.

Caminhos

Fachada do restaurante F10 Carne de Sol, em Boa Vista, Roraima.

Antes do restaurante existir, Favela percorreu diferentes estradas profissionais. Foi funcionário público, vendedor, garçom, caminhoneiro e até chapeiro de lanchonete. Experiências distintas que, segundo sua própria trajetória demonstra, ajudaram a construir uma visão prática sobre trabalho, responsabilidade e atendimento.

O primeiro contato com a cozinha veio cedo. Ele conta que começou como garçom aos 16 anos e, mesmo sem saber cozinhar naquele momento, se encantou pelo ambiente.

Mais do que o preparo dos alimentos, foi o atendimento ao público e a possibilidade de oferecer uma prestação de serviço de qualidade que despertaram seu interesse.

Uma empresa que nasce da família

Garçom leva refeição para clientes na área externa do restaurante.

A relação com a comida sempre esteve presente em sua vida, não apenas pelos trabalhos que exerceu, mas principalmente pela convivência familiar.

As reuniões eram sempre regadas a muita comida e, dentro de casa, cozinhar fazia parte da rotina. Todos gostavam de preparar pratos e receber convidados, transformando esses encontros em momentos de convivência.

O começo enxuto

Carne de sol sendo assada na brasa.

A ideia da F10 Carne de Sol começou de forma simples: um espetinho criado por Favela com o apoio da mãe. Era uma operação pequena, marcada por uma rotina intensa e aprendizado constante, cenário comum a quem decide empreender.

Mas ainda no início, um imprevisto mudaria o rumo do negócio. Por um curto período, sua mãe adoeceu, e ele ainda não sabia temperar os espetinhos. 

Quando uma empresa está dando os primeiros passos, qualquer obstáculo exige respostas rápidas e, muitas vezes, abre espaço para mudanças inesperadas.

Foi nesse contexto que surgiu uma sugestão de um fornecedor de carne: incluir a carne de sol no cardápio.

A reação inicial foi de insegurança. Favela não sabia cortar e nem salgar a carne. Ainda assim, o fornecedor se ofereceu para ensinar, uma oportunidade que acabaria redefinindo sua trajetória.

A virada

Restaurante cheio durante o horário de atendimento na F10.

Algumas mudanças acontecem de forma gradual. Outras se revelam quase imediatamente após serem colocadas em prática.

“Na época eu vendia em torno de 12 a 14 espetinhos, e no dia seguinte que eu coloquei a carne de sol, eu vendi 30 porções.” Ele relembra.

O aumento nas vendas não representava apenas um bom resultado, indicava uma nova direção para o negócio. O próprio Favela comenta que ficou encantado com a praticidade do produto, embora soubesse da importância de manter a qualidade da carne.

Mais do que ampliar o cardápio, aquele momento redefiniu a operação. Foi assim que a carne de sol deixou de ser uma alternativa e passou a ocupar um papel central na empresa.

Quando crescer exige estrutura

Comandas de pedidos na cozinha da F10 Carne de Sol durante o funcionamento do restaurante.

Os clientes foram chegando e os pedidos começaram a aumentar. Com a demanda em alta, vieram também os limites da operação.

Os entregadores já não conseguiam atender todos os pedidos, e a cozinha enfrentava dificuldades para acompanhar o ritmo.

Essa é uma fase conhecida por muitos empreendedores, quando o modelo que sustentou o início já não suporta mais o volume. Diante desse cenário, Favela percebeu que era hora de mudar.

Foi o momento de virar a chave, informatizar processos e buscar uma forma mais profissional de organizar os pedidos. Foi então que a F10 passou a utilizar a plataforma de gestão Pigz em sua operação.

Profissionalizar para avançar

Sistema de Gestão Pigz sendo utilizado na F10 Carne de Sol.

A estruturação do negócio passou pela tecnologia,

“acabou que a gente conseguiu uma plataforma que é nossa parceira.” Ele comenta.

A mudança impactou diretamente a rotina.

“Além disso, a Stone veio junto com a Pigz. Os pedidos são feitos pela maquininha e isso facilita muito a nossa vida.” Explica satisfeito com o resultado.

Segundo ele, a melhoria foi percebida rapidamente na operação, com destaque para a gestão dos pedidos e o suporte à equipe. A gestão dos pedidos, em especial, facilitou o trabalho dos garçons.

Os benefícios também alcançaram o controle financeiro. Processos mais organizados não apenas reduzem falhas, como criam condições reais para crescer com consistência. Outro ponto destacado, é o suporte oferecido, que é feito com muita atenção.

Para quem empreende, contar com parceiros confiáveis pode ser decisivo no processo de expansão.

O que fica da trajetória

Ao olhar para a história da F10 Carne de Sol, percebe-se que o crescimento não está ligado a um único momento, mas a uma sequência de escolhas feitas ao longo do caminho, experiências diversas, adaptação diante dos desafios e abertura para aprender.

Talvez por isso a mensagem que Favela deixa seja direta: mais do que abrir um negócio, trata-se de compreender o próprio território.

“Empreenda aquilo que você sabe fazer."

Existe uma segurança diferente quando o empreendedor domina sua operação, e isso se reflete nas decisões, no atendimento e na consistência do trabalho. Ele reforça ainda um princípio essencial para quem busca continuidade:

“Não dependa de ninguém para que seu empreendimento funcione.”

Mais do que crescimento

Antônio Cláudio Favela e a filha, Fernanda, posam em frente ao restaurante.

Hoje, a F10 carrega uma trajetória construída passo a passo. Não foi um avanço imediato, mas resultado de trabalho contínuo, ajustes e profissionalização. De um espetinho a uma operação estruturada. De uma rotina manual a processos mais organizados.

Histórias como essa lembram que empresas nem sempre nascem de grandes planos, muitas vezes começam com o possível e evoluem a partir das escolhas feitas no percurso.

Alguns negócios permanecem apenas como fonte de renda. Outros se tornam extensão da própria vida de quem os constrói.