O restaurante que nasceu antes mesmo de existir

Antes do Ogros virar restaurante, ele já existia. Nos finais de semana, tudo acontecia dentro de casa: amigos reunidos, improvisos na cozinha e conversas que atravessavam a noite.

O restaurante que nasceu antes mesmo de existir
Fachada atual do OGROS Steak & Burger com o proprietário Renato.

Sem perceber, Renato, um dos proprietários, já começava a desenhar ali aquilo que mais tarde se tornaria a identidade do negócio: sabores diferentes, experiências marcantes e a sensação de encontro.

O que começou de forma casual foi ganhando forma aos poucos, muito impulsionado pela esposa e atual sócia, uma das primeiras pessoas a enxergar potencial real naquilo que ainda parecia apenas um hobby entre amigos.

Primeiro espaço do OGROS, ainda em uma estrutura menor.

Então veio o primeiro espaço. Pequeno, com cerca de 50 metros quadrados, mas já carregando uma ambição muito maior do que o tamanho deixava imaginar. Desde a inauguração, o negócio nunca foi visto como algo temporário ou experimental. Existia uma visão clara de crescimento. 

“A gente inaugurou ali pensando grande: em um ano, um ano e meio no máximo, vamos virar uma steakhouse.”

 E virou. Um ano depois, o Ogros mudou de endereço, ganhou uma estrutura maior e começou a consolidar aquilo que se tornaria uma das características mais fortes da casa: a experiência de estar ali. Porque, para eles, nunca foi apenas sobre hambúrgueres.

Muito além da comida

Hambúrguer autoral do OGROS.

Conforme o restaurante crescia, também crescia a percepção de que as pessoas não saem de casa apenas para comer. Elas procuram ambiente, sensação, memória. Procuram um lugar onde possam se sentir bem.

Desde o início, a ideia sempre foi oferecer comida de qualidade, molhos diferentes, mas também uma experiência de entretenimento e lazer.

 “A gente até brinca, aqui é a casa dos ogros, o cliente vem e se sente bem”, diz Renato com empolgação.

E essa visão acabou moldando o restaurante de forma quase natural. Aos poucos, o espaço passou a assumir a personalidade da própria marca: uma casa acolhedora, feita para convivência.

O desafio que ninguém vê em um restaurante

Antes do Ogros, Renato, já tinha experiência em outros segmentos. Ainda assim, o restaurante trouxe desafios muito diferentes, principalmente no relacionamento com os clientes.

“O que mais me surpreendeu foi o trato com as pessoas”, conta. “A gente mexe numa situação muito delicada. A gente tá mexendo com pessoas com fome.”

 A frase parece simples, mas resume boa parte da pressão invisível que existe dentro de um restaurante. O cliente chega carregando pressa, expectativa, cansaço, ansiedade e, muitas vezes, frustrações do próprio dia. Aprender a lidar com tudo isso exigiu adaptação constante.

Clientes reunidos no salão do restaurante durante o atendimento.
“Tivemos que aprender a lidar com as situações”, relembra.

E foi justamente dessas dificuldades que nasceram algumas das decisões mais marcantes da experiência do Ogros. Uma delas surgiu da tentativa de transformar a espera em algo menos angustiante. Enquanto muitos lugares apenas administravam filas, eles buscaram criar distração, convivência e interação.

Jogos de mesa disponíveis no restaurante.

Foi então que surgiu a ideia dos jogos de mesa.

“O cliente acabava transformando aquela espera, que seria angustiante, em algo prazeroso.”

Um detalhe simples, mas que ajudou a consolidar ainda mais a identidade do Ogros como um lugar que vai além da comida.

Quando gestão virou sobrevivência

Conforme a operação crescia, administrar tudo no improviso deixou de ser possível. E foi justamente na gestão que começaram a surgir alguns dos maiores gargalos do negócio.

“O que era mais problemático pra mim era a parte de acompanhamento online, que eu não tinha”, explica.

O sistema utilizado anteriormente dependia de um servidor físico para acesso, o que dificultava decisões rápidas e limitava o acompanhamento da operação fora do restaurante. Na prática, isso criava uma sensação constante de distância entre a gestão e o que realmente acontecia no dia a dia da equipe.

Sistema Pigz utilizado pela equipe durante a operação do restaurante.

A mudança começou quando o Ogros migrou para o Pigz.

 “Hoje, com o sistema em nuvem, que é a modalidade que o Pigz trabalha, eu posso acessar o sistema de qualquer lugar”, conta.

 O impacto foi imediato. Mais do que praticidade, a tecnologia passou a oferecer controle, agilidade e suporte operacional em tempo real.

 “Eu até costumo brincar que agora eu comecei a usar o tablet 24 horas”, comenta.

Com o acesso remoto, ele passou a acompanhar a operação mesmo longe da unidade, auxiliando a equipe rapidamente em situações que antes demoravam muito mais para serem resolvidas.

O empreendedorismo que ninguém romantiza

Apesar do crescimento, o discurso dele continua distante das narrativas fáceis sobre empreendedorismo. Para Renato, não existe fórmula mágica.

Linha de hambúrgueres autorais servidos no OGROS.

“Resiliência”, repete mais de uma vez durante a conversa. Para ele, essa talvez seja a principal característica de qualquer empreendedor que deseja permanecer de pé ao longo do tempo.

“Pra você que está começando agora, tenha resiliência, amigo. Porque a resiliência é a principal qualidade que todo empreendedor tem que ter. Porque os problemas vão acontecer.” 

E talvez uma das partes mais difíceis seja justamente aprender a crescer através das críticas.

“É naquela reclamação que às vezes dói no peito, dói na alma… mas é onde você precisa respirar, entender, corrigir e melhorar” comenta.  

O conselho vem carregado de experiência prática, não de discurso pronto. Mesmo depois de anos de operação, ele continua estudando, buscando conhecimento e tentando acompanhar a velocidade das mudanças do mercado.

“Se você confia no seu produto, vai. Estude e procure se preparar, porque não é só ter uma boa comida. Tem muita coisa por trás pra que realmente seu produto vire um sucesso, e você consiga ganhar dinheiro e viver daquilo.”